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O brilho do Sol Nascente

Projeto Casa da Marieta voltado às crianças, adolescentes e mulheres em situação de risco encanta população da segunda maior favela do país.

Há apenas 30 quilômetros de Brasília, capital que tem a maior renda média mensal do país, está a segunda maior favela do Brasil, o Sol Nascente. Barracos, terra batida, buracos nas ruas e a falta de oportunidade marcam esse território localizado em Ceilândia. Por trás de todas essas dificuldades o sonho de uma guerreira e idealizadora do Projeto Casa da Marieta tornou-se real. Marieta Soares, 56 anos, nascida no Piauí, casou-se e veio para Brasília em busca de uma vida melhor, queria que os filhos estudassem, oportunidade que não teve. Chegou ao Sol Nascente em 1996, se hoje falta infra-estrutura para os moradores, naquela época é que não tinha mesmo. Com a falta de transporte Marieta levava os filhos para escola andando, ou de bicicleta, e percebeu que as outras mães não faziam o mesmo devido às dificuldades enfrentadas durante o percurso para a escola, já que as mais próximas do setor ficam nos bairros vizinhos P Sul e P Norte. Ela sentiu a necessidade de ajudar a comunidade e incentivou a mobilização em favor do transporte escolar, que hoje atende crianças e adolescentes do setor. O desejo de ajudar era maior, então abriu as portas da própria casa para dar aulas de reforço. Também oferecia café da manhã, almoço e lanche para todos. Da necessidade alheia nasceu o projeto “Casa da Marieta”, situado no Trecho 1 do Sol Nascente. O espaço vem proporcionando atividades no combate à violência e drogas para crianças e adolescentes na faixa de 4 a 17 anos, os pais também participam. É um trabalho para toda comunidade. “Este ano tenho a meta de atender 350 crianças. Faço tudo por amor, basta ter força de vontade”, orgulha-se. Todas as doações, instrumentos e materiais das oficinas são guardados na casa de Marieta, onde os objetos ficam seguros. Em frente ao projeto, ela tem um mercadinho fonte de renda da família, local que também separa frutas, legumes e verduras para doar às famílias carentes. O projeto oferece aulas de percussão, violão, capoeira, jiu-jitsu, MMA, futebol, leitura, terapia comunitária, roda de crochê e artesanato para as mães. Além de apoio psicológico às adolescentes grávidas e mulheres vítimas de violência doméstica. Todas essas atividades acontecem em dois cômodos alugados, o atendimento é de segunda a sábado no horário contrário ao da escola. São 16 monitores voluntários, que conheceram o trabalho através de encontros realizados nos bairros das proximidades com líderes comunitários, sociólogos, psicólogos, enfermeiros e a própria comunidade. O nome desse encontro era Rede Social, por meio da roda de conversa o projeto foi ganhando força e voluntários.

Visão de um futuro melhor

A única exigência para participar das oficinas oferecidas pelo projeto é estar matriculado e frequentando a escola. “Não tem desculpa, não tem saída, tem que estár matriculado”, acrescenta Marieta. O projeto já atendeu mais de 2 mil crianças graças a doações que vem de todos os cantos de Brasília, são pessoas comuns de bom coração que se dispõem a ajudar na mudança da realidade dos moradores do setor. “Viver pela fé é saber que não tem nada para o dia seguinte, mas ter a certeza que aparecerá alguém que irá nos ajudar”, afirma a idealizadora do projeto. As crianças estão fazendo a diferença e querem mostrar para o maior número de pessoas que é possível realizarem seus objetivos pessoais. Davi Rios, 12 anos, medalhista de ouro no Jiu-Jitsu não perde um dia de treino. “O que tem de mais legal no setor é o projeto, os treinos de Jiu-Jitsu é o meu preferido”, conta. A irmã de Davi, Julie Eva também faz aulas de Jiu-Jitsu e tem o sonho de ser professora desse esporte. “Nas horas vagas fico treinando e ainda participo da oficina de violão”, conta a jovem. Motivo de orgulho Marieta tem de sobra além de acompanhar o crescimento das crianças e jovens, o filho mais velho é formado em Administração, concursado e voluntário na oficina de violão. Lucas, filho do meio faz medicina e ajuda nas aulas de reforço, o caçula já está no Ensino Médio. Ela já viu muito alunos do projeto formados, pais de família e que voltam para ajudá-la de alguma forma.

A verdadeira fonte de sabedoria

É nas tardes de segunda e quintas-feiras que as mulheres se reúnem para a roda de crochê do Projeto Casa da Marieta. O trabalho existe há mais de dois anos e conta com o apoio da terapeuta comunitária Marieta Soares. “O crochê é uma geração de renda para essas mulheres contribuirem com o sustento da casa”, explica Marieta. Além de participarem da roda as mães também compartilham suas experiências na terapia comunitária, entre um crochê e outro a conversa rola solta. “Tratamos os problemas em roda de conversa, nada em particular”, afirma uma das mães. Todas residem no Sol Nascente, usam materiais sustentáveis e trabalham também com reciclagem. Na ocasião também aprendem a transformar pneus velhos em pufes, que são colocados à venda para ajudar o projeto. Qualquer pessoa pode participar dessas tardes de aprendizado só precisa levar os materiais para os pufes e crochê.

Como ajudar

Interessados em ser voluntário, fazer doações ou uma visita para a Casa da Marieta entre em contato com a idealizadora que leva o nome do projeto Dª Marieta, pelo telefone 9187-0204 ou no endereço SHSN Avenida Central Novo Horizonte Lote 17, Sol Nascente, Ceilândia-DF.