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O Nordeste tem que ser nosso!

Dragão Fashion Brasil festejou bodas de cristal com mais de 40 desfiles que valorizaram a moda autoral brasileira

Atelier Criativo Kalil Nepomuceno + Jussara Regas

Não há nada que substitua uma boa semana de moda. Não adianta inventar formatos mais baratos para mostrar o que é criado a partir de invencionices, horas em frente de máquinas de costuras e dedos lascados em bordados minuciosos. Poucas ‘fashion weeks’ no Brasil tem dado certo como o Dragão Fashion Brasil. Vai além de modelos andando pra lá e pra cá. O DFB propõe análise sobre o mercado de moda nacional, reconhece o trabalho autoral de qualidade e premia dando espaço para que sejam vistos.

Festejando 15 anos de brasilidade, o evento tomou todo o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE). Em cinco dias de moda, arte, reflexão e negócios, passaram mais de 50 mil pessoas. Todos ávidos por conteúdo de qualidade modal e vontade de fazer o mercado cearense crescer mais e mais. Lá é sucesso e está mais do que na hora de o Brasil vestir o que vem do Ceará.

Entre os mais de 40 desfiles, vários tipos de rendas, bordados e recortes, dos quais a tecnologia passa longe e as mãos especializadas emtécnicas herdadas após tantos anos e gerações de trabalhadores em prol da beleza ou de alguns vinténs, imperam. Mas não é que a tecnologia se fez presente em diversas coleções? Cortes a laser e impressões têxteis foram vistas no Dragão. Evolução ou adaptação para que esteja em conformidade com o restante do mercado nacional? Só nos resta pensar que, assim, é bem mais prático.

O esforço – notável –, de estilistas e de produtores com sotaques peculiares, pode ser visto em cada um dos desfiles e em cada momento vivido dentro dos espaços do DFB. Fizeram com muita qualidade, e sabemos que moda é boa quando os detalhes são evidenciados, tamanha vontade de entregar ao público o que há de melhor.

 

Eles são demais!

Muitos ocuparam a lista de destaque: Lizzi e sua bela mulher fantasiosa, Alysson Aragão com um olhar aberto sobre o erótico, os irmãos André e Rafaella, da Mar Del Castro, que superaram todas as expectativas, o minimalista Aládio Marques e toda sua baianidade, estão entre os mais belos desfiles. Kallil Nepomuceno, mais uma vez ovacionado, fez muito pela leveza e feminilidade. Outro, que anda quilômetros à frente é Mark Greiner, um mago da boa execução em roupas e ideias.

O emocionante Lindebergue voltou a um passado e dançou em bailes antigos com estamparia realista e boa de ver, deu até vontade de girar por um salão com suas peças amplas. Os nomes do Ceará estão prontos para conquistar. Vocês ainda verão muitos looks deles por aí. Eles estão conquistando o mundo.

 

Por Fernando Lackman