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Um tabuleiro para corrupção

Priscila Fantin, que estrela “Jogo de Xadrez”, primeiro longa-metragem do diretor Luis Antonio Pereira, falou com exclusividade à Evidence Magazine e conta sobre o thriller de ação em que  todos são suspeitos.

Após um breve período sabático de entendimento acerca da própria vida, a atriz Priscila Fantin voltou com tudo para a TV, cinema e até para os palcos teatrais. O filme que estreou no circuito nacional, já com uma porção de elogios positivos é o “Jogo de Xadrez”. A trama envolve escândalos políticos, corrupção e crime de colarinho branco. Mina, Beth e Martona estão presas em uma Penitenciária, no Rio de Janeiro. Mina (Priscila Fantin) está na cadeia por causa de uma fraude na previdência social, que envolve o Senador Franco (Antônio Calloni). O senador, com medo que ela abra a boca e conte a verdade para as autoridades, contrata o diretor da cadeia (Tuca Andrada) para que ele a mate. Mas ela é forte, e as tentativas são em vão. Começa aí um jogo de desafios e de luta pelo poder dentro da penitenciária, onde levará vantagem o mais forte e o mais inteligente. Mina articula com Jullienne, sua irmã, um plano de fuga. Em lances de idas e vindas, o clima de tensão é permanente e a sensação de opressão acompanha o espectador. Para o diretor da trama, Luis Antonio Pereira escrever o roteiro foi extremamente fácil. “Estava com o filme todo pensado desde 2008. É um roteiro que já vinha desenvolvendo algum tempo. Fiz uma história em que ninguém presta, como já disse meu distribuidor, o Tito Liberato”, conta. A inspiração veio de filmes como “Poderoso Chefão”, e nomes como o de Hitchcock, que com maestria criava intrigas interessantes. “As reviravoltas e surpresas são propostas conscientes de Luis. “Eu gosto muito de surpreender, de buscar a dramaticidade em momentos inesperados, de buscar uma situação de humor num drama. A vida sem humor não existe”, conclui.

Jogo de XadrezPapo com a protagonista

Evidence: Na trama, você é presa por fraude e acaba ficando junto de detentas que cometeram outros tipos de crimes, inclusive, ações violentas. Como você enxerga essa questão? Será possível que haja outra forma de tratar pessoas sentenciadas?

Pricila Fantin: Acho que o problema não é propriamente o crime cometido, mas o modelo de recuperação ineficiente. Se as presas fizessem algum trabalho terapêutico, por exemplo, a convivência já seria diferente. Deveriam trabalhar em plantações, por exemplo. Ao final do dia, o cansaço seria tanto que não sobraria forças para desentendimentos. Faz sentido

Evidence: A trama vem amarrada a uma porção de dilemas. Como lealdade, e até medo de retaliação. Como funcionou a construção do seu personagem com tantas nuances de comportamento?

Pricila Fantin: Eu costumo fazer um gráfico emocional da personagem a partir do roteiro para analisar quanto de tinta carregar em cada situação/emoção. Mas a construção se faz em conjunto com a visão que o diretor tem do filme. Entrevistar as detentas também ajudou a entender a confusão emocional.

Evidence: Quanto tempo demorou para que fosse finalizado todo o processo?

Pricila Fantin: O roteiro levou 6 anos para ser escrito, 5 semanas para rodar e um ano para finalizar.

Evidence: Estrear filmes como esse em tempos em que a corrupção tem sido atacada pelo povo brasileiro e pela justiça. É um ato politizado? É em defesa da honra brasileira, ou trata-se apenas de um bom filme de ficção?

Pricila Fantin: Não é proposital. Digamos que o lançamento do filme culminou num mesmo momento em que se discute abertamente o tema. É apenas um bom filme de ficção.

Evidence: Você teve que mudar algo fisicamente pra interpretar a Mina? Teve que fazer aulas de luta, para aprender a brigar?

Pricila Fantin: Sim, fiz aulas de defesa pessoal, Muay Thai e tiro. Fisicamente mudei muito o cabelo, fizemos rugas, amarelamos os dentes, maltratamos as unhas e imprimi um jeito específico de andar, falar, sentar, olhar.

Evidence: E qual é a grande expectativa ideológica do filme?

Pricila Fantin: Como é notório, a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Mas estamos em tempos em que a justiça está prestes a ser feita.

Por Fernando Lackman